| Ex-porta-voz do Vaticano, jornalista Joaquín Navarro-Valls, volta ao primeiro amor! |
| Qui, 03 de Junho de 2010 11:39 |
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http://www.conelpapa.com/papabenedictoxvi/pederastia54.htm a Joaquín Navarro-Valls
Na próxima quinta-feira irá apresentar nas livrarias “Recuerdos y reflexiones” (Plaza & Janes), um livro de artigos que deve ler “qualquer pessoa que neste momento tenha medo de que esqueçamos de pensar”, ressalta. “Sua nova obra irá produzir alguma surpresa, ou não?” Mas vou te dizer um pequeno segredo: durante o trabalho (ritmo de 24 horas por dia), nunca parei de ter presente a medicina. Sempre procurei atualizar meus conhecimentos.
-O que precisa de modelos é a ética. - Existem modelos na Santa Sé? -A média é muito alta. Evidente que alguns são santos. Mas tive a sorte de não encontrar delinquentes. E digo isso com sinceridade. São seres humanos. - Se não perdeu a convicção, por que deixou o cargo de porta-voz de Bento XVI? - Chegou um momento em que estava convencido de que não era bom para uma Santa Sé já tão informatizada. Logo após a sua eleição, Bento XVI perguntou-me: “já pensou, alguma vez, em deixar João Paulo II?” Disse que três vezes. “E o que ele disse”? Perguntou-me. “Como vocês sabem, fazia piada com quase tudo,” disse que tinha de pensar e eu disse: “Recorda-me dentro de cinco anos». “Mas tinha que sair". Veja que conheci a 12 porta-vozes da Casa Branca... -Mas a marca de um Papa Bento XVI- um papa intelectual, mas não carismático - é mais difícil de vender. -Não vejo assim. Bento XVI é desde São Pedro até hoje, o Papa que tem a maior bibliografia pessoal. -Os tempos exigem um perfil mais social do que intelectual, não pensa assim? -Acredito que estamos em um momento da humanidade em que existe grande ambiguidade de conceitos. Cada palavra significa oito coisas diferentes. Que exista um Papa que desejar fazer uma clarificação semântica é um trabalho extremamente necessário. Seus escritos são muito lidos no mundo acadêmico. - Wojtyla quando jovem fez teatro, sabia interpretar a cena, transmitia. -Sempre fui relutante em comparações. Quando João Paulo II foi eleito tinha 58 anos e quando o cardeal Ratzinger foi eleito tinha 78 anos. Pelo simples fato de tê-lo aceitado já seria motivo para levantar-lhe um monumento! Eu pude viver de perto a colaboração pessoal muito estreita entre João Paulo II e Cardeal Ratzinger. Nos rascunhos de artigos escritos por João Paulo II sempre repetia a frase: “Que o veja Ratzinger”.
-As reformas estão acontecendo. Não vejo nenhuma instituição política, cultural ou educacional que esteja fazendo o que a Igreja (sob Ratzinger) está contra o desagradável assunto da pedofilia. Não caiamos na hipocrisia de pensar que a pedofilia é coisa de quatro eclesiásticos! É uma coisa bestial que afeta milhões de crianças ao redor do mundo. Há países membros da ONU, onde é legal que o filho de um sheik se casa com uma menina de sete anos, a comunidade internacional não diz uma só palavra. -Não é exatamente o mesmo. -Tenha em conta, 90% dos abusos infantis ocorrem no âmbito familiar e o caso fica no âmbito jurídico-penal. -Uma reação calorosa e tardia. -Uma reação radical. Inigualável, insisto. -Algumas pessoas apontam para João Paulo II como indutor do silêncio de alguns desses casos. -Estes eventos são na sua maioria ocorridos nos anos 60 e silenciados pelas próprias vítimas. -Conversar não é ação. -Ele começou a agir. Há também o caso triste e enigmático de Marcial Maciel, fundador dos Legionários de Cristo [acusado de abusar sexualmente de seminaristas e crianças]. Fui eu mesmo quem deu a divulgação das sanções em maio de 2006, primeiro ano do pontificado de Bento XVI, mas o processo canônico começou com João Paulo II. Ler que o Papa havia protegido Maciel me causa indignação.
-A teoria da conspiração, neste caso é um ajuste entre as facções antes do próximo conclave. - Tira isso da sua cabeça! Levantou poeira ...-A poeira começou com o artigo de Laurie Goodstein no The New York Times [declarou que, em 1996, o então Cardeal Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, encerrou o processo de Lawrence Murphy da Diocese de Milwaukee, culpado de 200 casos de abuso]. Esse jornalista não salientou que a polícia interrogou Murphy e declarou-o inocente. Por que não dizer que a polícia de Milwaukee esteve escondendo-o?
-Talvez a solução seja colocar um fim ao celibato. -A questão não é “o celibato, sim” ou “o celibato, não”. -No entanto, eles estão dando baixa muitos sócios do clube. - Aqueles que são amortizados estavam no clube? Talvez para alguns seja um tempo de purificação intelectual. Acreditavam por motivos falsos. O tema da fé é uma relação particular entre você e Deus. Se eles pensaram que algumas misérias humanas podem romper esse relacionamento deve ser errado. É outra coisa. -- O que é isso? -Acredito em Deus porque acredito ao pé da letra nas duas linhas do Gênesis: “e Deus criou o homem à Sua imagem e semelhança”. Se isso é verdade, veja só! Muda tudo. Se isso é verdade, devo-lhe um respeito que é infinitamente além de qualquer coisa que eu possa considerar sobre você. Pascal disse: “O homem é realmente grande quando ele se ajoelha”. O que ele queria dizer com isso? -Você que o diga. Assim, de repente, não parece dizer muito. -Isso significa que uma atitude humana básica é a de rezar, porque o homem deveria ter muito claro quais são os limites diante da dor, diante de como digere o desprezo que recebe dos outros e, finalmente, diante da morte. E se eu conheço os limites, vejo quais são as minhas possibilidades. E me converto numa pessoa otimista, porque sei que tudo que possa me acontecer terá um final feliz, um happy end. Se não acredito, então, a vida não é apenas um drama, mas que a vida, então, não valeria a pena. Se não acredito, entendo inclusive o ininteligível: o suicídio.
-Mas você acredita nisso. -Sim, senhor. -É inevitável que, quando você se expõe a aparecer na mídia, as pessoas associem presença com poder real. Mas não pretendi nem quis poder algum nem no Vaticano nem em outros postos. Veja o apego que tinha ao poder, só queria passar alguns anos de minha vida a ler e ao estudo da medicina. -Enretanto, revolucionou a comunicação do Vaticano. -No campo da comunicação cheguei a conclusões bem realistas. Comunicar é ter algo a dizer, (nos meios de comunicação há espaço para alguém que não tem nada a dizer, diga alguma coisa, porque sente necessidade de que os outros se lembrem de que ele está vivo), e adaptar o que tens a dizer ao meio de comunicação pelo qual deseja se comunicar. João Paulo II aceitou isso e tentei ajuda-lo. -Fez mais coisas. -Talvez instaurar uma outra forma de se relacionar com os jornalistas acreditados (6000 no último mês do pontificado de João Paulo II, superando até alguns Jogos Olímpicos). Às vezes me diziam: “Não confie nesse aí, é um homossexual escandinavo....” “Pouco me importa! – respondia -. É um colega que ganha a vida com este trabalho”. -Foi o artífice da reunião de João Paulo II com Gorbachev, símbolo do fim da Guerra Fria. -Fui a Moscou um ano antes, em junho de 1988, quando a perestroika era uma hipótese. Gorbachev recebeu-me em seu gabinete no Kremlin com um sorriso. Era um homem cheio de vitalidade. Um ano depois veio ao Vaticano. Mas isso faz parte do bê-a-bá do trabalho... Quando João Paulo II ou Bento XVI agradeciam os meus serviços, sempre lhes respondia: “Não me agradeçam, me pagam para isso; é pouco, mas me pagam”. Estar perto da História não significa ser o motor da História. - E como é a história agora? -Nessa modernidade tardia, há um nível crítico de insegurança. Quando este Papa, antes que fosse eleito, falou da “ditadura do relativismo”, estava dizendo algo muito importante. -Você imaginou que, quando deixou a praça de São Pedro, seria ordenado padre. -Nunca pensei. Não é minha proposta de vida. - Qual é sua proposta de vida? -Estou feliz de voltar ao meu primeiro amor profissional que era e continua sendo a medicina. Trabalho no Campus Bio-Médico da Universidade de Roma, e também na jovem faculdade de medicina da Universidad Internacional de Catalunya (UIC). -Quero saber mais de sua proposta de vida como pessoa. -Aspiro a viver. Estamos tão ocupados com viver que esquecemos da riqueza do fato de viver. Pára e reflete sobre a maravilha que é melhor ser que não ser, e diga isso à pobre mulher diante de uma decisão de abortar. Entre o ser e o nada, o ser. .................................................................................Joaquim Navarro Valls http://pt.wikipedia.org/wiki/Joaqu%C3%ADn_Navarro-Valls Joaquín Navarro-Valls (Cartagena, Espanha, 16 de novembro de 1936) foi porta-voz do Vaticano durante mais de vinte anos no pontificado de João Paulo II. Com formação em medicina psiquiátrica e jornalismo, é membro numerário do Opus Dei, dedicou-se ao jornalismo e foi nessas funções que entrou no Vaticano, a pedido de João Paulo II que queria melhorar os meios de comunicação da Santa Sé. . Muitas vezes foi tido erroneamente como sendo religioso ou sacerdote. Estudou medicina nas faculdades de Granada e Barcelona, bacharelou-se em medicina e cirurgia em 1961. Doutorou-se em psiquiatria com a tese “Transtornos psiquiátricos e traumatismos cranianos.” Foi professor ajudante de medicina. Em 1968 formou-se em jornalismo e, em 1980, obteve a licenciatura em Ciências da Comunicação pela Faculdade de Ciências da Comunicação da Universidade de Navarra. Foi bolsista da Universidade de Harvard. Foi membro fundador da revista Diagonal em 1964. Correspondente estrangeiro de "Nosso Tempo" - 1972. De 1977 a 1984 foi correspondente do diário ABC para a Itália e para o Mediterrâneo Oriental e enviado especial nos países da África Equatorial, Japão e Filipinas. Foi membro do Conselho Diretor e depois Presidente da Associação de Imprensa Estrangeira na Itália (1983 - 1984). Em 1984 foi convidado pelo Papa João Paulo II para ser o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, cargo que ocupou até 2006. A partir de janeiro de 2007 passou a presidir o Conselho Consultivo da Universidade Campus Biomédico de Roma. Integrou as Delegações da Santa Sé nas Conferências Internacionais das Nações Unidas no Cairo (1994), Copenhague (1995), Pequim (1995) e Istambul (1996). De 1996 a 2001 presidiu o Conselho de Administração da Fundação “Maruzza Lefebvre d'Ovidio” para enfermos oncológicos terminais. É professor da Faculdade de Comunicação Institucional da Pontifícia Universidade da Santa Cruz e doutor “Honoris Causa” em Ciências da Comunicação pelas Universidades de Valência, Nápoles e Varese em Direito pela Universidade de Múrcia. Na sua carreira profissional recebeu mais de vinte prêmios e foi condecorado pelos governos da Áustria, Suécia, Chile, Itália, Espanha, Argentina, Cidade do Vaticano, Polônia e Paraguai.
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Joaquín Navarro-Valls (Cartagena, Espanha, 16 de novembro de 1936) foi porta-voz do Vaticano durante mais de vinte anos no pontificado de João Paulo II. Com formação em medicina psiquiátrica e jornalismo, é membro numerário do Opus Dei, dedicou-se ao jornalismo e foi nessas funções que entrou no Vaticano, a pedido de João Paulo II que queria melhorar os meios de comunicação da Santa Sé. Por 22 anos foi porta-voz do Papa João Paulo II e por 15 meses, de Bento XVI. Um recorde absoluto em 20 séculos de cristianismo. Joaquin Navarro-Valls (Cartagena, 1936), numerário do Opus Dei, homem inteligente e cativante, tem o Vaticano e o mundo na cabeça. Agora voltou à medicina e à escritura, suas paixões.