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Livro "A Cabana" (William P. Young). Uma breve avaliação crítica.
Sex, 16 de Julho de 2010 09:13

A_Cabana"A Cabana"
William P. Young
Publicado em 2008 pela Editora Sextante, tradução de The Shack.

Amigos. Encontrei uma avaliações crítica sobre esse famoso livro "A Cabana" e desejo compartilhá-la com vocês (fonte: http://missaosemear.blogspot.com/2009/05/cabana-abrigo-para-alma-ou-barraco.html)

 

Breve descrição do conteúdo,
Mack, o personagem central, é casado com Nan e eles têm cinco filhos. Durante um passeio, a filha mais nova, Missy, é raptada e, depois de investigações, dada por morta, ainda que seu corpo jamais tenha sido encontrado. Esse evento precipita em Mack uma violenta crise que ele chama de A Grande Tristeza. Depois de algum tempo, recebe um bilhete convidando-o a voltar à cabana onde há vestígios de sangue de sua filha tinham sido achados. Relutante, resolve ir ao local onde tem um encontro com ninguém menos do que o Deus trino. O restante do livro narra os diálogos entre Mack e as três pessoas da Trindade, bem como a transformação interior desse homem. O final, relativamente previsível, relata o retorno de Mack à sua família e as mudanças experimentadas como resultado de seu encontro com Deus.

  


Pontos Positivos


É uma leitura agradável e, em vários pontos, comovente. Qualquer pai pode sentir, vicariamente, a dor de Mack (o personagem central da narrativa). Embora ocasionalmente previsível, a narrativa flui bem e os diálogos são verossímeis, apesar da situação em que ocorrem ser fictícia. Fazer teologia em forma de diálogo é uma aventura, mas Mack lida com perguntas que professores de teologia têm que responder diariamente na sala de aula e em conversas informais em torno de uma pizza ou churrasqueira. Talvez por isso o livro agrada tantos (e desafia) tanto. O livro lida com uma questão universal, a do sofrimento inexplicado, e das reações emocionais e espirituais a ele. Na verdade, o livro tem o mérito de lutar para restabelecer o lugar adequado para Deus diante de situações inexplicadas e, para a maioria dos leitores, inexplicáveis. Nos diálogos entre o Deus trino e Mack, Young procura basear no caráter de Deus tanto a compreensão do problema do sofrimento quanto uma eventual solução para as angústias que ele nos causa. Young se esforça para desfazer uma dicotomia muito comum, mesmo entre cristãos, que apresenta Jesus como um super-herói bonzinho e o Pai como um velho zangado e violento. Um outro ponto positivo é a afirmação de que Jesus está conosco no sofrimento e por isso não é necessário que nos entreguemos à sensação de abandono por Deus que o sofrimento normalmente traz. 


Pontos Negativos. Revelação.

A primeira crítica a ser feita ao livro é que, veladamente, o livro menospreza a Bíblia como revelação e a teologia como um engessamento das maneiras criativas em que Deus Se revela e Se relaciona com as pessoas.

Trindade

A maneira pouco convencional em que o autor representa Deus dá lugar a uma imprecisão teológica com respeito às relações entre as pessoas da Trindade e sobre as funções de cada um na obra da redenção.

Outro problema é a excessiva centralização do mundo na pessoa que sofre, como se a função maior de Deus fosse prover o consolo e a solução dos problemas causados pelo sofrimento. Não parece que Young seja culpado de modalismo (a crença de que Deus não existe simultaneamente em três pessoas, mas é uma só pessoa divina que se manifesta em três modos. Na verdade, Young deixa bem claro que não crê isso, quando, na p. 91, Papai afirma: “Não somos três deuses e não estamos falando de um deus com três atitudes... Sou um só Deus e sou três pessoas, e cada uma das três é total e inteiramente o um.” Um problema relacionado a isso é que, apesar de esforçar-se por preservar a doutrina da Trindade, Young foi longe demais na identificação entre as três pessoas, afirmando que a Trindade encarnou (p. 89) e chega extremamente perto do patripassianismo (a idéia de que o Pai sofreu na cruz) quando, nas pp. 95 e 96, Mack vê e toca as cicatrizes nas mãos de Papai. Ficção ou Teologia? – Apesar de dizer que não está preocupado em comunicar doutrina, Young vende sua doutrina sobre Deus como se fosse verdade, a despeito de contrariar claramente a Palavra revelada de Deus. Por mais que os leitores sejam “abençoados” com a leitura, e as cartas enviadas ao site de Young deixam isso bem claro, precisamos entender que o próprio Deus não aprova que se fale o que não é verdadeiro a respeito dEle (cf. Jó 42.7). Falar coisas erradas sobre Deus vai, eventualmente, minar o consolo que os leitores recebem ao ler o livro, uma vez que Deus não está obrigado a fazer com todos os sofredores o que fez nesta ficção sobre Mack e seu sofrimento. Salvação.

Traços de inclusivismo permeiam o livro (cf. a história da princesa índia e a implicação de que a confiança no Grande Espírito seria suficiente para resolver o problema da tribo com Deus). Há, aqui e ali, indícios da idéia de que o sofrimento de Missy foi redentivo para Mack, e que Deus só ministra perdão quando nós perdoamos quem nos ofende (p. 208). Além disso, Young sugere que não há uma punição eterna ao dizer (p. 109): Não sou quem você pensa, Mackenzie. Não preciso castigar as pessoas pelos pecados. O pecado é o próprio castigo, pois devora as pessoas por dentro (ênfase minha).

 

Aconselhamento.

Young concentra a atenção no sofrimento causado pela morte de Missy, sem dar muita atenção à maneira negativa com que Mack lida com sua vida familiar como criança e adolescente. Seu ódio e desprezo pelo pai colorem (ou descolorem) toda sua vida, social e religiosa. Interessantemente, é por causa desse problema que Deus Se manifesta a Mack como uma mulher negra (quase dá para ouvir um sotaque da Louisiana no original inglês, exceto quando Papai conversa sobre teologia; aí as palavras simples dão lugar ao jargão teológico), seguindo a linha de que é preciso aceitar a situação do “aconselhado” do que confrontá-lo com ela. Parece-me que o que Mack mais precisava era de uma figura paterna para quebrar seu estereótipo, mas Young só lhe dá isso no final do livro, quando “Papai” aparece como um homem de meia idade, depois que o problema de Mack com seu pai foi “resolvido”. Preocupa o fato de Papai dizer para Mack (p. 83): “Quero curar a ferida que cresceu dentro de você e entre nós”, referindo-se à angústia e à “depressão” causada pela morte de Missy, quando na realidade a ferida vinha desde os tempos da adolescência, em relação ao pai. No final do livro esta também é tratada, mas de um modo que vai comprometer a teologia total da obra.


 

Igreja.

O autor se apresenta, em seu site e em entrevistas, como uma pessoa desigrejada e feliz por isso. A sensação de Mack quanto à igreja como fria, maçante e desinteressada, sedenta de poder e sem real razão de existir, também se alinha com o movimento da igreja emergente. O desdém evidenciado no livro para com seminários apresenta uma caricatura de instituições que, em sua maioria, tem preocupações genuínas com o bem estar emocional e espiritual de seus alunos e das comunidades em que estão inseridas.

A igreja é mais uma vítima da obra de Young. Sob a égide da religião ela é acusada de manipular os fiéis por causa da cobiça e desejo de poder dos seus líderes. Como instituição ela é fonte de contrariedades para Jesus, que afirma: “Eu não crio instituições. Nunca criei, nunca criarei”. Para que não fiquem dúvidas sobre o sentido dessas palavras, Jesus completa em meio a uma expressão sombria: “Não gosto muito de religiões e também não gosto de política nem de economia... E por que deveria gostar? É a trindade de terrores criada pelo ser humano que assola a Terra e engana aqueles de quem eu gosto.” Ao vislumbrar com assombro tudo o que aprendeu no passado, Mack exclama: “Quantas mentiras me contaram!” Jesus completa a decepção de Mack respondendo uma pergunta sobre o significado de ser cristão com as palavras: “Quem disse alguma coisa sobre ser cristão? Eu não sou cristão.” Um dos motivos do desprezo de Deus pela estrutura eclesiástica seria a presença nela de uma hierarquia, ou uma “cadeia de comando”, o que, mesmo na divindade, parece ser um conceito “medonho” e um relacionamento “opressivo.” Jesus explica que a autoridade “é meramente a desculpa que o forte usa para fazer com que os outros se sujeitem ao que ele quer.” E completa dizendo: “É um sistema humano. Não foi isso que eu vim construir... Por mais bem intencionada que seja, você sabe que a máquina religiosa é capaz de engolir as pessoas!” Ao chegar ao capítulo 5 do livro, onde realmente a visão do autor sobre Deus começa a ser exposta, é o desejo de quebrar paradigmas. O autor parece desconfortável com a visão sobre Deus e sua personalidade. Quando Young relata o espanto de Mack, um cristão criado dentro da igreja desde pequeno, com seu encontro com duas pessoas da Trindade em forma de mulheres, não acredito que o autor tenha tais concepções, mas creio que seu desejo é que os leitores achem antiquada a postura de acolher conceitos tradicionais. O Pai, no livro, explica: “Para mim, aparecer como mulher e sugerir que você me chame de Papai é simplesmente para ajudá-lo a não sucumbir tão facilmente aos seus condicionamentos religiosos.” Parece que o autor considera as visões tradicionais sobre Deus como “estereótipos” que não devem ser encorajados e como “idéias preconcebidas” nas quais Deus não se encaixa. Em pouco tempo, Mack se dá conta de que “nada do que estudara na escola dominical da igreja estava ajudando” a compreender o Deus que estava diante dele. Parece ser sugerido que o leitor deve ficar aberto a novos conceitos. O conselho do Espírito Santo a Mack é: “Verifique suas percepções e, além disso, verifique a verdade de seus paradigmas, dos seus padrões, daquilo em que você acredita. Só porque você acredita numa coisa não significa que ela seja verdadeira. Disponha-se a reexaminar aquilo em que você acredita”.Assim, novos conceitos são inseridos.


 

ESCRITURAS.

Um desses conceitos é uma visão depreciativa sobre o ensino bíblico. Por diversas vezes as Escrituras, ou o ensino eclesiástico das Escrituras, é citado em contraposição a uma nova verdade apresentada pelas pessoas da Trindade. Exemplo disso é que Mack, apesar de ser um cristão que sempre vai aos cultos e recebe instrução bíblica, se dá conta de que não conhece Jesus como achava que conhecia. Diante disso, Jesus lhe transmite um conhecimento que nunca antes lhe foi ensinado: “Deus que é base de todo ser, mora dentro, através e em volta de todas as coisas, e emerge em última instância como o real. Qualquer aparência que mascare essa verdade está destinada a cair.” A Bíblia, que certamente não apresenta essa versão “panteísta” ou “panteísta” da Divindade, fatalmente se torna alvo dessa afirmação. Na verdade, ela sofre a sugestão de ser um instrumento que não contém a verdade, mas que é usado por Deus devido à complexidade da situação humana depois de se afastar dele. O Pai, ao responder por que se “revela” de modo paterno, diz: “Assim que a Criação se degradou, nós soubemos que a verdadeira paternidade faria muito mais falta que a eternidade.” Assim, Mack percebe que ao sair da escola dominical, onde as Escrituras são ensinadas, freqüentemente tinha “as respostas certas”, mas que isso não fazia que ele conhecesse a Deus. Fica sugerida a idéia de que a Bíblia contém inverdades devido às limitações e carências do homem. Entretanto, há verdades além dela que o homem que se relaciona com Deus pode alcançar. Por isso, no momento em que Deus fala a Mack sobre verdades nunca antes por ele imaginadas, explica em tom depreciativo: “Aqui não é a escola dominical. É uma aula de vôo”.

 



Frases Teologicamente Significativas (i.e., certas) em ‘A Cabana”


Dentre as afirmações teológicas dignas de elogio, na p. 88 Young descreve a tentativa humana de entender Deus. “O problema é que muitas pessoas tentam entender um pouco o que eu sou pensando no melhor que elas podem ser, projetando isso ao enésimo grau, multiplicando por toda a bondade que é capaz de perceber... e depois chamam o resultado de Deus.”

No diálogo entre Deus e Mack, Papai diz: “O importante é o seguinte: se eu fosse simplesmente Um Deus e Uma Pessoa, você iria se encontrar nesta criação sem algo maravilhoso, sem algo que é essencial. E eu seria absolutamente diferente do que sou” (Cap. 6, p. 91, EP). Ao que Mack retruca: “E nós estaríamos sem...?” Ao que Papai responde: “Amor e relacionamento. Todo amor e relacionamento só são possíveis para vocês porque já existem dentro de Mim, dentro do próprio Deus . . . Eu sou o amor.”  Ponto para Young por destacar esta importantíssima percepção quanto à necessidade da Trindade para que 1 Jo 4.8 e 16 sejam verdadeiros. Na p. 84 (EP) há uma boa frase. Papai afirma: A verdadeira paternidade faria muito mais falta que a maternidade. Isso reflete a situação atual em nosso mundo, quando a figura do pai é notável pela sua ausência em tantos lares (às vezes por escolhas das próprias mães). Outra frase que merece citação aparece na p. 173 (EP) − A graça não depende da existência do sofrimento, mas onde há sofrimento você encontrará a graça de inúmeras maneiras.

 


 

Frases Teologicamente Imprecisas (i.e., erradas) em A Cabana


Nós estávamos lá, juntos (p. 86 EP), indica mais claramente a questão do patripassianismo no livro. Young efetivamente afirma a presença física no Pai na cruz, que ele confirma na p. 151. Outra frase imprecisa é: Quando nós três penetramos na existência humana... (p. 89). Embora eu queira dar a Young o benefício da dúvida, é difícil fugir da idéia de que ele entende que a Trindade encarnou, quando as Escrituras deixam claro que foi somente o Verbo, a eterna segunda pessoa da Trindade, que adentrou em carne a história humana.

Na p. 90 , Papai afirma: Ele (Jesus) foi simplesmente o primeiro a levar isso até as últimas instâncias; o primeiro a colocar minha vida dentro dele, o primeiro a acreditar no meu amor e na minha bondade, sem considerar aparências ou consequências. Ainda que o contexto imediato tenha o mérito de apontar para a dependência de Jesus em relação a Deus durante Sua encarnação, a frase pode (e talvez tenha sido escrita com o propósito de) indicar que outros chegaram ou chegarão ao mesmo status de Jesus.

O livro propõe muito claramente a malignidade da hierarquia e a rejeição de todo o conceito de autoridade, inclusive na igreja e na família.  Na p. 145, Jesus afirma a Mack que Seu relacionamento com o Pai é de mútua submissão. Ao falar isso, Young está questionando  abertamente a doutrina da hierarquia funcional dentro da Trindade, expressa especialmente no que tange à obra terrena do Filho (cf. 1 Co 11.3). Ao afirmar essa submissão recíproca (pois Sarayu também é incluída), Young pretende afirmar, no mínimo, algo que as Escrituras jamais afirmam; na verdade, ele parece partir do seu conceito de relacionamentos humanos e exaltar essa submissão recíproca da família (marido, esposa e filhos) a uma dimensão celestial.  Nesta observação citei a EI porque, para complicar essa questão ainda mais um pouco, a (p. 132) traz: Os relacionamentos verdadeiros são marcados pela aceitação, mesmo quando suas escolhas não são úteis nem saudáveis. A palavra submission, usada na EI, foi trocada por aceitação, que tornou a frase teologicamente mais certa, mas acabou por disfarçar o perigo teológico, pois o contexto fala do relacionamento entre Jesus e cada um de nós. No inglês fica a sugestão que Jesus se submete a nós para manter a autenticidade do relacionamento.

Sarayu afirma que na Trindade não existe uma cadeia de comando, apenas um círculo de relacionamento (p. 111). De novo, Young parece jogar pela janela o conceito de uma hierarquia funcional proposto por Jesus no Discurso do Cenáculo, Jo 14 − 16) ao especular sobre um relacionamento essencial na Trindade.  Young faz uma associação da hierarquia com a matriz e sugere que hierarquia é um produto da Queda. Isso não é novo, mas agora está sendo dito de maneira ainda mais sutil do que, por exemplo, o movimento feminista vem dizendo por várias décadas.

Criamos vocês, os humanos, para estarem num relacionamento de igual para igual conosco (palavras de Sarayu, p. 114). A não ser que eu tenha lido de maneira muito errada a minha Bíblia, jamais estaremos no mesmo plano que Deus. Ele será eternamente adorado e eu eternamente adorador. Somos salvos para viver para louvor da Sua glória (Ef 1.12), não para partilhá-la de igual para igual. Submissão não tem a ver com autoridade, e não é obediência (palavras de Jesus, p. 133). Uma vez mais, o conceito bíblico da perfeita obediência do Verbo encarnado ao Pai que O enviou é varrido para baixo do tapete da igualdade ontológica. Parece que Young não gosta das tensões bíblicas, só daquelas que ele mesmo propõe. Por amor. Ele escolheu o caminho da cruz, onde a misericórdia triunfa sobre a justiça por causa do amor (p. 151).  Esta frase é extremamente perigosa, pois toma o texto de Tiago 2.13 e faz com que ele diga que Deus optou por fazer Seu amor superar Sua justiça. Isso não é apenas uma distorção do sentido tencionado por Tiago − que a prática da misericórdia [como evidência da fé] impede que os cristãos sejam disciplinados por Deus −, mas uma idéia muito errada sobre Deus, a de que haja conflitos entre Seus atributos ou entre as pessoas da Trindade. A imprecisão é suficiente para fazer a frase parecer bíblica e, por isso, seu efeito é duplamente nocivo.


 

Considerações Finais

 

Por que “A Cabana” está vendendo tão bem? Talvez porque a maioria dos cristãos atuais queira comida pré-processada e pasteurizada, e não queira se dar ao trabalho de (ou talvez simplesmente não saibam como) colher nas Escrituras e preparar, pelo estudo pessoal e a comparação com o pensamento cristão histórico, sua própria alimentação. Ou, para mudar a metáfora para algo mais semelhante ao livro, queiram apenas colocar um band-aid na ferida, ao invés de lidar com a infecção. Por outro lado, talvez porque descreva emoções e sensações espirituais de maneira poética e ocasionalmente bela, às vezes desenvolvendo metáforas bíblicas, às vezes usando de maneira criativa a imaginação (como no cap. 15). William Paul Young quer divulgar essa “nova” visão de Deus (que envolve uma nova visão de vários outros conceitos cristãos) e seus leitores aceitaram, ingenuamente, essa proposta, que mistura verdade e erro de modo particularmente perigoso. Os leitores que dizem ter obtido uma visão nova (e melhor) de Deus deveriam lembrar que ninguém, na história da Igreja, foi 100% herético ou teve intenções declaradas de destruir a fé cristã. Assim mesmo, suas idéias incorretas contaminaram e enfraqueceram a Igreja por séculos e séculos. Cautela, Bíblia aberta, e várias leituras são essenciais para entender esse livro e para utilizá-lo mais do que como entretenimento pessoal. Ainda estamos nos estágios iniciais de “A Cabana” no mundo de fala portuguesa. É preciso que os que se importam com a verdadeira saúde espiritual da Igreja corram o risco de contestar (na maior parte) e concordar (em alguns momentos) com William Paul Young e sua cabana. Ela está sendo vendida como um abrigo para a alma, mas está mais para “barraco” teológico.