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Sete Romances para Entender o Mundo

 

Sete Romances para entender o mundo

Alguns argumentam que o verdadeiro desafio de um escritor é o de explorar a alma humana.
Ao fazer isso, alguns autores descrevem romances que têm iluminado até os últimos recônditos:
o primeiro amor, a consciência, a tenacidade, os totalitarismos ou a adolescência são melhorem
compreendidos por alguns relatos do que por dezenas de tratados ou enciclopédias.
Assim, uma boa biblioteca ajuda  a viver com maior lucidez.
Aqui uma relação deles:

 

*Cisnes Selvagens (Jung Chang)
*O Sonho dos Heróis (Adolfo Bioy Casares)
*Ana Karenina (Lev Tolstoi)
*Crime e Castigo (Feodor Dostoievski)
*O Apanhador no Campo de Centeio (J.D. Salinger)
*Grande Sol (Ignacio Aldecoa)
*No Coração das Trevas (Joseph Conrad)

 


 

*Cisnes Selvagens (Jung Chang, Wild Swans)

 

Li este livro quando foi publicado em castelhano, em 1993.
Tenho de confessar que, salvo alguns conhecimentos superficiais, a minha ignorância sobre a história chinesa era enorme. Fiquei tão impressionado com o livro que de agora em diante leio as notícias relacionadas com a China de outra forma especialmente porque fui apresentado a um mundo desconhecido.
Esse mundo foi descrito - e isso foi a forma que mais me encantou -, por meio de vidas anônimas de três mulheres chinesas que resemumen em suas experiências  toda a história, um pouco dramático, do século XX.

A autora é Jung Chang, uma escritora chinesa que deixou seu país em 1978 para continuar seus estudos na Grã-Bretanha; atualmente é professora na Universidade de York com seu marido,  Jon Halliday, também um professor. Cisnes Selvagens não é exatamente um romance, mas a história dessas vidas. Primeira conta de Yu-fang, a avó de Jung, depois é o relato de Bao Qin De-hong, a mãe dela. Finalmente, a história da própria vida da autora, muito próximo às vicissitudes de seus pais,  um casal de comunistas revolucionários punidos com a arbitrariedade da Revolução Cultural. (...) Os testemunhos que conta Jung Chang são reais e assustadores.
(...) servem para explicar a história coletiva do povo chinês. Como ela escreve, "cercada pelo sofrimento, pela morte e desolação, tinha visto a indestrutível capacidade humana para sobreviver e buscar a felicidade. "

Fonte: http://www.unav.es/nuestrotiempo/es/temas/novelas-para-entender-el-mundo


 

*O sonho dos Heróis (Adolfo Bioy Casares, El sueño de los héroes)


Como qualquer bom romance, "El sueño de los héroes"  é, à sua maneira, muitos romances.
(...) gosto de pensar que ele é, acima de tudo, uma história de amor linda e simples entre um homem e uma mulher, Emilio e Clara. (...) "El sueño de los héroes" , romance do escritor argentino publicado em 1954,  mostra o caminho do enamoramento e da sua plenitude, ao mesmo tempo permite compreender porque um homem é tão diferente de uma mulher. É uma lição simples, mas não superficial. (...) Hoje, existem muitas explicações para as diferenças biológicas entre homens e mulheres como um problema exclusivamente cultural. Para o feminismo radical  os sexos são intercambiáveis e se definem como gêneros. Adolfo Bioy Casares, que conhecia o suficiente dos homens e muito mais das mulheres, escreveu este romance, talvez a sua melhor obra, onde se limita a contar uma história de seres humanos comuns, sem as paixões exacerbadas dos comuns folhetins sobre o amor, mas iluminado pela escrita elegante, pelo bom senso e pela magia de um final que, (...) é um dos melhores da história da literatura.

 

Fonte: http://www.unav.es/nuestrotiempo/es/temas/novelas-para-entender-el-mundo

 


 

*Ana Karenina (Lev Tolstoi)

Este é um dos maiores romances da história, talvez o melhor.
Notável pela sua perspicácia, comovedora pelo tratamento dos personagens, profunda na forma de colocar um dos temas centrais da antropologia: o amor e o compromisso como fundamento da própria identidade pessoal.

Tolstoi apresenta, em paralelo, duas histórias de amor. Por um lado,  a de Anna Karenina - uma mulher da alta sociedade casada por convenção familiar com um homem bem mais velho que ela -, que se apaixona por um oficial de cavalaria. Por outro lado, o namoro e o casamento de Lievin -um fazendeiro que adora o trabalho de campo, preocupado com o desenvolvimento dos seus camponeses e com grandes dúvidas de fé -, com Kiti,
uma mulher simples, mas cheio de bondade e sabedoria. Essas duas histórias vão mostrando as diferenças entre estas duas formas de amor. Um amor que só reclamar os direitos de sua própria felicidade, onde a paixão parece
justificar todas as decisões, incluindo o abandono dos filhos, um amor que isola os amantes do resto da sociedade (...). E o outro, um amor mais discreto, simples, mas, em última instância mais autêntico, que fortalece a personalidade de cada um, e os comprometem de verdade com o mundo em que vivem.

Talvez essa sinopse resumo possa parecer-super-moralizante. Mas o romance nai fica em simplificação:
cada personagem é descrito com precisão e com respeito e delicadeza, e as histórias se desenrolam
com uma coerência  e uma lógica natural e irresistível. E este romance dá-nos uma das personagens mais adoráveis que a literatura nos deu: Lievin, que com suas dúvidas, sua teimosia, seu amor de marido e pai, a sua espontaneidade e seu idealismo, consegue cativar o leitor. Julgo que nesse personagem, - que é o alter ego de Tolstoi - se posa encontrar a resposta a muitos problemas psicológicos enfrentados pelo homem contemporâneo.

 

Fonte: http://www.unav.es/nuestrotiempo/es/temas/novelas-para-entender-el-mundo

 


 

*Crime e castigo (Feodor Dostoievski)

(...)  Dostoiévski sabia revelar a alma humana porque a conhecia profundamente, distinguia os traços de dor porque já os tinha visto de perto e conhecia as perguntas que mais inquietam por dentro - os campos do Bem e do Mal frente a frente, a força salvadora do amor, o destino do sofrimento...
Ele construiu personagens indeléveis: o arrependido e tortuoso Raskolnikov, a impecável Sonia, o juiz astuto Petrovich...

(...) Crime e castigo é mais do que um romance colossal. É um monumento de como começar a se redimir e chegar, finalmente, à felicidade pelos caminhos mais difíceis, mais profundos, mas talvez os mais comuns.

 

Fonte: http://www.unav.es/nuestrotiempo/es/temas/novelas-para-entender-el-mundo

 



*O Apanhador no Campo de Centeio (J.D. Salinger, The_Catcher_in_the_Rye)

"Se você realmente se preocupa com o que vou dizer-lhe,  a primeira coisa que deseja saber é onde eu nasci, como foram as as coisas na minha infância, O que faziam os meus pais antes que eu nascesse, e outras... estilo David Copperfield ,mas não tenho vontade de contar nada disso. Primeiro, porque importunam, e segundo, porque os meus pais teriam um ataque se eu me colocasse aqui para falar-lhes sobre a vida particular deles".

O início de O Apanhador no Campo de Centeio, pertence aos famosos inícios: de Dom Quixote, Anna Karenina ou A Metamorfose, de Kafka, o exclusivo clube das primeiras obras da literatura mundial que são, em todos os sentidos da palavra, memoráveis. Desde as primeiras linhas, o romance de J. D. Salinger retrata a força carismática do jovem protagonista.  É ele, Holden Caulfield, que, convalescente num hospital psiquiátrico diz ao leitor a sua fuga de uma escola particular e o seu caminhar ao redor de New York  por três dias antes de voltar para casa desanimado e doente. Como um moderno Huckleberry Finn, ele vive as aventuras próprias de um jovem em fuga, onde a maturação interior do personagem é tão ou mais importante do que o seu percurso geográfico de volta a casa. Na sucessão de episódios vividos por Holden é que ele manifesta o seu caráter tipicamente adolescente . Ele está em constante conflito com o mundo ao seu redor. Incômodo por viver em um terreno instável e difuso, que não pertence nem à infância nem à idade adulta.

Admira a simplicidade e a inocência de sua irmã mais nova Phoebe, e detesta a hipocrisia que  prevalece no comportamento de muitos "adultos". Com a mesma velocidade em que mostra sua verborréia -resultado da maestria estilística de Salinger ao refletir com naturalidade e  linguagem coloquial -, o ânimo de Holden que alterna euforia com abatimento, alternando o narcisismo com a timidez.  Seu idealismo contrasta com o egoísmo que emerge no relacionamento afetuoso com Sally e Jane, pois tão intensos quanto como o seu medo ao compromisso é o seu desejo de se sentir querido. Este cocktail emocional é o que provoca o ingresso no sanatório de um Holden que ignora, como já dizia George Bernard Shaw,  "a juventude é uma doença que se cura com os anos."

 

Fonte: http://www.unav.es/nuestrotiempo/es/temas/novelas-para-entender-el-mundo

 


 

*Grande Sol (Ignacio Aldecoa, Gran Sol)

O mar, na maioria das vezes, é definido como um microcosmo onde o homem se encontra radicalmente
só ante a adversidade, (...) é um tema recorrente na literatura do escritor espanhol  Ignacio Aldecoa (1925-1969), que não apenas passou algumas fases da vida em Ibiza e nas Ilhas Canárias, mas também percorreu a costa do Atlântico, na costa do Mediterrâneo com verdadeira assiduidade. A aparição em suas obras do elemento marítimo como argumento narrativo e estético não se entende, portanto, sem referência à sua biografia. "Desde criança Ignacio Aldecoa sonhava com as ilhas", disse a viúva em 1995, Josefina Rodriguez, que também vinculou ao mar  todas as "pesquisas, descobertas e hesitação de homem" de seu marido.

Durante um mês, em 1957, antes de escrever o romance Grande Sol, Aldecoa morou em um barco com alguns marinheiros cantabrianos que estavam envolvidos na pesca.  A partir dessa experiência surgiu, o título do livro, que é uma homenagem aos pescadores que trabalham no Mar del Gran Sol,  localizado entre os paralelos 48º e 60º, a oeste das Ilhas Britânicas (...) E, também, o argumento do romance: o dia-a-dia em um navio, o Aril, cujos treze tripulantes exercem a pescaria no Atlântico.  O mar, o cenário, mas também o protagonista de Gran Sol, torna-se assim a única testemunha das dificuldades, das lutas e esperanças de um pequeno grupo de marinheiros que, apesar de seu cansaço e desesperança, têm a virtude rara aceitar a vida como ela é.

Poucos escritores como Aldecoa compreenderam o caráter das pessoas que se esforçam,  sem esperar nada em troca. Assim, suas histórias também tem um toque de grandes epopéias lendárias. Aldecoa disse certa vez que sua literatura teve como objetivo desenvolver  "a epopéia dos grandes ofícios", que faz dos pescadores do livro Grande Sol um tipo de heróis em dimensões humanas. (...)

 

Fonte: http://www.unav.es/nuestrotiempo/es/temas/novelas-para-entender-el-mundo

 


 

*No coração das trevas (Joseph Conrad)

'No coração das trevas' é resultado da experiência pessoal de Conrad, no Congo, em 1890.
A exemplo de Charlie Marlow, narrador principal da obra, Conrad, ainda criança, contemplara um mapa e decidira um dia visitar o coração da África O marinheiro Marlow é o tipo de narrador que Joseph Conrad (1857-1924) recorre em várias de suas obras. Sua presença como narrador de histórias produz um efeito maravilhoso.
Assim o  The Heart of Darkness se transformou no seu mais famoso romance, É uma história verdadeira, uma fantasia com o tempo adequado. Cria no leitor uma sensação de ser capturado pela inacreditável: uma mistura de absurdo, surpresa e perplexidade que constitui a atmosfera dos sonhos. O desenrolar da narrativa segue o curso do rio Congo. Navegar leva-nos até o foco das sombras, onde se encontra uma inesperada luz. A viagem fluvial até o coração das trevas é um purificação poética, no conflito entre a crueldade desumana, cujo responsável é Leopold II, rei dos Belgas, e com a hostilidade da natureza impenetrável. No mais remoto lugar  navegável acha-se o ponto em que experiência interior se faz reveladora. É o que todo escritor e todo leitor persegue: encontrar a realidade por trás dessa farsa. Nessa habitada devastação está Kurtz, cujo resgate é o propósito da viagem. Mas com o que Marlow se depara é com um homem que tornou-se em um ser desprezível à força de  exaltar-se loucamente. O centro das trevas, o horror mesmo do vazi, é o próprio Kurtz, agente de uma empresa de marfim, que foi transformado num semideus para os nativos. Tornou-se um fantasma surgido do nada. Marlow, que é um homem fiel, luta pela alma de Kurtz. Só se encontra com o vazio. Mas esse vazio revela-lhe a sua humanidade essencial. A solidão leva  Kurtz ao medo. Marlow liberta-o do seu próprio vazio. Antes de morrer, Kurtz só consegue excalmar a única coisa que leva dentro dele: "O horror! O horror! ". Marlow pode ver, ao regressar, que se encontrou a si mesmo. E o leitor experimenta o prodígio de repetir, ele também, essa viagem interior.

 

Fonte: http://www.unav.es/nuestrotiempo/es/temas/novelas-para-entender-el-mundo